Relatos de Feira – Parte 4 de não sei quantas

(Ouvindo Yasuo Sako – Je Te Veux – GT4 OST ~Classic Collection~ – 2005)

Farra

Pra variar, escrito no bloco de notas.

Sexta-feira. Um dia mágico, seu crepúsculo é um prelúdio do fim de semana. Todos os anseios são figurados na sexta-feira. Ainda que nenhum seja realizado, a iminência de ter tempo, coisa que falta qualquer estudante, faz de cada hora desse dia uma doce eternidade.

Do lado da universidade, há um conhecido bairro de Feira de Santana, famoso por abrigar quase em sua totalidade estudantes. Disso resulta um ambiente sempre jovem e, no caso da sexta, que gosta de festa. E foi pra esse bairro que a turma da gente combinou de ir (pelo menos algumas pessoas). De fato, não tinha muita gente lá, mas eu acho que, em momentos nos quais do que mais se precisa é de um pouco de distração, esse tipo de integração é uma alternativa bastante viável.

E fomos.

Conheci um barzinho com um clima amigabilíssimo! Não que eu goste de bares, até porque não bebo, mas era um lugar tranquilo, tinha pouca gente, sem barulho etc. Talvez não fosse coincidência seu nome ser “Caminho de Casa”. Gostei do lugar mesmo.

Enquanto os outros gastavam sua diversão em copos, eu e Jairo, um colega daqui, quase que a todo momento falávamos de música, computador ou de música no computador. Ficar falando sempre nisso rendeu um convite pra pegar não um, mas dois violões. Aí eu fiquei beleza (tenho MUITAS saudades do meu violão). Pra quem não se interessa por algum instrumento, lamento, mas é maravilhoso o conforto que isso dá. Cervejas, risadas e violão, destes só dispensei o primeiro item. E durante todo o tempo foi assim.

Aliás, neste mesmo bar, tinha um garçom (não diga?), o qual não perguntei o nome. Pra quem gosta de música, música é o assunto ideal pra começar uma coversa. E ele foi dizendo que trabalha com música, era de Minas Gerais, esteve com uma produtora que o sacaneou e agora ele era garçom. Conversamos bastante, e quando ele perguntou de que tipo de música eu curtia mais e eu respondi “metal”, ele perguntou sobre a banda Tuatha de Dannan. Conheço a pouco tempo, e ele disse que os caras eram amigos dele. Cara gente fina, até tocou algumas músicas com a gente, saca de MPB e tal, além de cantar bem. Pra quem conhece, ele toca toda quinta-feira no bar Fifó, no bairro Feira VI.

Isso me lembra outra coisa. Músico no Brasil é uma classe desfavorecida e mal reconhecida. Aos olhos do povão, qualquer ser que empunhe um cavaquinho e suba em um palco é considerado músico. Não é bem assim. Música exige talento e dedicação, muita dedicação. Não sou músico, me considero um hobbista. Nada contra quem toca cavaquinho, mas é algo fenomenológico aqui no nordeste – em TODO O CANTO tem uma “banda” de “pagode”. Isso dá nos nervos. Não é raro um músico tocar uma porque gosta e outra coisa para ganhar dinheiro. Me lembro de um exemplo que um músico conhecido meu me deu – músico mesmo. Ele falou de um outro músico, ex-integrante da banda da Ivete Sangalo, que vai pro exterior pra tocar em festivais de jazz. No Brasil o cara toca axé – fora dele toca jazz. Coisa de brasileiro isso de subutilizar o que tem e não valorizar erudição.

No bar, esqueci completamente do tempo. Ao lado do violão, a gente não liga pra essas coisas. E o pessoal lá, o tempo passa, meus dedos se acabando nas cordas de aço, mas tava tudo bem. Foi divertido, deu pra espairecer das preocupações da universidade e foi engraçado ver como algumas pessoas ficam depois de alguns goles.

E a noite foi chegando. E passando. A música hipnotiza, não lembro de qualquer outra coisa que me cative durante tanto tempo. Aliás, lembro sim, com saudade, mas isso não vem ao caso. Mas o fato é que durante todo esse tempo que ficamos de conversa fiada e tocando músicas vãs, um bem-estar que há certo tempo não sentia me veio. Preciso fazer isso mais vezes. E o melhor disso é que foi bastante barato (hauhauhauhauhauhauha!!). Eu diria que consumi violão e salgadinhos, mas só paguei pelos salgadinhos =].

Tenho que reconhecer. O pessoal da Bahia é bastante receptivo e gosta de fazer amizade. Agradeço por todos os amigos que tenho.


One Comment on “Relatos de Feira – Parte 4 de não sei quantas”

  1. Rafael \o/ disse:

    Yep, música é um negócio interessante. Meu fiel amigo, o fone de ouvido, trabalha incessantemente, o dia inteiro. Só não tenho o dom de tocar em um violão. É a sina de um canhoto :PQuem sabe eu ainda não aprenda a lidar com pianos? Eu tenho essa fascinação por pianos


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